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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Primeira escola do Brasil voltada para público gay

Campinas terá 1ª escola do Brasil voltada para público gay

Rose Mary de Souza - 23 de dezembro de 2009 • 16h07 • atualizado às 16h11
Direto de Campinas

     A primeira escola voltada para o público gay do Brasil será instalada em Campinas, no interior de São Paulo, e deve entrar em operação em janeiro de 2010. A nova Escola Jovem LGTB (Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais) oferecerá aulas de Expressão Literária, Expressão Cênica e Expressão Artística, além de um curso para formação de drag queens.A grade curricular engloba tópicos artísticos como dança, música, TV, cinema, teatro e criação de revistas. O objetivo da instituição é fazer circular pelo Estado de São Paulo o material produzido pelos alunos - entre eles, CDs, DVDs, livros, revistas, peças de teatro e espetáculos de drag queens.A unidade escolar surgiu a partir de um convênio entre a ONG E - Jovem, o governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura. Os cursos técnicos são gratuitos e têm duração de três anos.
   As inscrições serão abertas em janeiro, ainda sem data prevista. Serão Aceitos prioritariamente interessados com idade entre 12 a 18 anos. Outras faixas de idade serão aceitas se houver vagas. As inscrições também estão abertas ao público heterossexual. As aulas terão início em março e, a princípio, devem ser criadas três turmas com 20 alunos cada. De acordo com Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGTB, o contrato de convênio, com validade de três anos, foi assinado no último dia 16 de dezembro. Ainda não há um local definitivo para a sua instalação. "Estamos em uma corrida para acertar tudo até o início das atividades", disse. Segundo ele, a unidade em Campinas é a primeira do gênero no Brasil e a segunda na América Latina. Nos Estados Unidos existem várias unidades. Ribeiro disse que a intenção também é a de combater a homofobia e colocar em discussão a temática da população gay que, em geral, não é veiculada em currículos de estabelecimentos de ensino tradicional. "Sabemos que muitos alunos deixam de estudar por puro preconceito." Sendo assim, diz ele, a escola dará um suporte no sentido de auto-aceitação do indivíduo através de cursos voltados às artes. "Os mais conservadores estão de cabelos em pé, já recebemos muitas mensagens nesse sentido como também muitos incentivos de pessoas querendo lecionar ou serem voluntárias. Acho que vai ser muito bom", completou.

Os interessados podem entrar em contato com a direção da escola pelo endereço eletrônico escola@e-jovem.com.

Fonte:



   Bom pessoal, como vocês puderam ler, de acordo com as palavras do Diretor da Escola Jovem LGTB, Deco Ribeiro, está entre as intenções da instituição discutir temáticas da população gay e também combater a homofobia e dar suporte ao indivíduo na auto-aceitação.
   Temos aí, a famosa faca de dois gumes, se por um lado cria-se um espaço de expressão, digamos mais livre para os homossexuais; por outro lado cria-se também mais um gueto. Não cabe aqui nenhuma critica pejorativa à Instituição, muito pelo contrário, a iniciativa é mais do que válida. Porém, fica aí a indagação: até quando precisaremos de espaços (“mundos paralelos”) para sermos respeitados, para que possamos nos expressar livremente, sem que necessitemos de um lugar próprio para tal?
   Esperamos que, além dos tópicos artísticos - certamente relevantes – haja também, espaço na grade curricular para discussões voltadas para política, cidadania, ética. Afinal, essas são armas fundamentais para que possamos, de fato, sermos respeitados e nos fazer ouvir em nosso país, pois já que o honramos ao cumprir os nossos deveres de cidadãos; temos o direito de desfrutá-lo da mesma maneira que os demais.

   E por falar em esperança!



   Dez réis de esperança

    Se não fosse esta certeza
    que nem sei de onde me vem,
    não comia, nem bebia,
    nem falava com ninguém.

   Acocorava-me a um canto,
   no mais escuro que houvesse,
   punha os joelhos á boca
   e viesse o que viesse.

   Não fossem os olhos grandes
   do ingénuo adolescente,
   a chuva das penas brancas
   a cair impertinente,
   aquele incógnito rosto,
   pintado em tons de aguarela,
   que sonha no frio encosto
   da vidraça da janela,

   não fosse a imensa piedade
   dos homens que não cresceram,
   que ouviram, viram, ouviram,
   viram, e não perceberam,
   essas máscaras selectas,
   antologia do espanto,

   flores sem caule, flutuando
   no pranto do desencanto,
   se não fosse a fome e a sede
   dessa humanidade exangue,
   roía as unhas e os dedos
   até os fazer em sangue.

António Gedeão

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