Mulheres lésbicas estão tão propensas a contrair DST/Aids quanto qualquer outro grupo social. Mas, por causa do preconceito no tratamento que recebem no Sistema Único de Saúde (SUS), esses casos acabam caindo na invisibilidade. “O pressuposto do SUS, do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, ainda é o de que a mulher é heterossexual, assim, o atendimento se torna padronizado e excludente”, explica a assistente social Gláucia Elaine Silva de Almeida. Sua tese de doutorado, sobre a possibilidade de infecção de lésbicas por DST/Aids no Brasil, foi a primeira a ser produzida pelo Instituto de Medicina Social/UERJ. Os resultados foram apresentados durante o II Fórum Social Brasileiro, em abril de 2009. Além do enfoque da saúde, a pesquisa aponta para outros aspectos da vida das lésbicas, como a dificuldade de conseguir emprego e de ser aceita pela família. Seu trabalho teve como conclusão que, além da possibilidade de infecção por HIV, existe uma possibilidade muito maior de infecção por DST ou IST (Infecções sexualmente transmissíveis), que não é discutida. Dentre as DST há uma predominância de infecções como vaginose bacteriana, herpes genital, hepatites. São problemas freqüentes e pouco relatados, o que envolve uma questão epidemiológica mesmo.
Fonte:AnaCris Bittencourt, para o portal do Ibase
Disponível em: http://lonjuras.multiply.com/market/item/15/15
De acordo com o artigo acima, podemos notar como o Ministério da Saúde com seus programas de saúde homogeinizados dificulta a qualidade do atendimento nos serviços de saúde pública no Brasil. O programa de atenção à saúde da mulher, por exemplo, têm como pressuposto que toda mulher é heterossexual; tendo todas as condutas pré-definidas, não permitindo liberdade à mulher de se apresentar aos profissionais de saúde como lésbica. Com isso, as orientações e condutas específicas não são realizadas, deixando essa mulher vulnerável. Hoje a responsabilidade de transmitir informações e também de orientação para mulheres homossexuais está nas mãos do terceiro setor “ONG’s” que é um segmento da sociedade composto por agentes e instituições privadas que buscam a realização de objetivos coletivos e/ou públicos com temáticas especificas.
Outra questão dificultadora a esse respeito é a falta de capacitação dos profissionais de saúde para prestar atendimento a esse público, pois tais profissionais partem do pressuposto que não há orientações a fornecer, uma vez que, a saúde da mulher lésbica e da mulher heterossexual deve ser tratada da mesma maneira. Há também uma “cultural” perniciosa de se acreditar que sexo entre mulheres é “um sexo limpinho”.O que na verdade é um mito perigoso, pois, o sexo oral é o que mais oferece riscos de contração de DST’s, a mucosa da boca é uma via significativa de transmissão para microorganismos. Porém, como já foi dito; a questão da homogeinização na saúde, lamentavelmente, deixa de fora as especificidades de cada caso.
Há também um ponto que está relacionado ao fato de não se dar a devida importância ao sexo seguro entre lésbicas, segundo pesquisas, é a confiança excessiva que essas depositam em suas parceiras.
A discussão desses assuntos pode trazer desconforto e insegurança às relações. No entanto, essa conscientização é muito importante para que possamos adotar comportamentos mais cuidadosos em nossas relações sexuais e também para que possamos exigir, dos órgãos de Saúde Pública, políticas, campanhas específicas que abranja as particularidades da saúde da mulher lésbica.
Vamos cuidar da nossa saúde? Ai vão algumas dicas:
• Realizar exames preventivos anualmente;( exames de mama, Papa Nicolau)
• Recomenda-se não realizar sexo oral após ter escovado os dentes ou ter usado fio dental, pois caso ocorra ferimento na gengiva, pode facilitar a transmissão de algumas infecções.
• Utilizar preservativos nas mãos ao realizar penetrações evitando machucar o colo vaginal e levar microorganismos que ficam alojados em baixo das unhas.
• Utilizar preservativos em “brinquedinhos” e vibradores.