Boas Vindas!!!

Balaio de idéias

domingo, 4 de abril de 2010

Antídoto

                          
      Como escapar desse formigamento da alma, dessa inquietude voraz;  excesso de sentidos.
Onde estão os anestésicos, os escudos; os meus pares onde estão?
Esse eterno vagar, sem repouso;
somente um breve pausar ou nem isso.
Náusea palpável, extensa, abrangente.
O gauche eterno, nessa constante angústia da existência que não satisfaz, achando-se e perdendo-se no caminho;
 - que caminho -





                  EMBRIAGAI-VOS
É necessário estar sempre bêbedo.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio,
na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,
perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,
a tudo o que canta, a tudo o que fala,
perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,
hão de vos responder:
É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos;
embriagai-vos sem tréguas!
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

CHARLES BAUDELAIRE, O spleen de Paris, XXXIII.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PARTICULARIDADES NOSSAS DE CADA DIA

Visivelmente vulneráveis?
Mulheres lésbicas estão tão propensas a contrair DST/Aids quanto qualquer outro grupo social. Mas, por causa do preconceito no tratamento que recebem no Sistema Único de Saúde (SUS), esses casos acabam caindo na invisibilidade. “O pressuposto do SUS, do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, ainda é o de que a mulher é heterossexual, assim, o atendimento se torna padronizado e excludente”, explica a assistente social Gláucia Elaine Silva de Almeida. Sua tese de doutorado, sobre a possibilidade de infecção de lésbicas por DST/Aids no Brasil, foi a primeira a ser produzida pelo Instituto de Medicina Social/UERJ. Os resultados foram apresentados durante o II Fórum Social Brasileiro, em abril de 2009. Além do enfoque da saúde, a pesquisa aponta para outros aspectos da vida das lésbicas, como a dificuldade de conseguir emprego e de ser aceita pela família. Seu trabalho teve como conclusão que, além da possibilidade de infecção por HIV, existe uma possibilidade muito maior de infecção por DST ou IST (Infecções sexualmente transmissíveis), que não é discutida. Dentre as DST há uma predominância de infecções como vaginose bacteriana, herpes genital, hepatites. São problemas freqüentes e pouco relatados, o que envolve uma questão epidemiológica mesmo.
Fonte:AnaCris Bittencourt, para o portal do Ibase
Disponível em: http://lonjuras.multiply.com/market/item/15/15


    De acordo com o artigo acima, podemos notar como o Ministério da Saúde com seus programas de saúde homogeinizados dificulta a qualidade do atendimento nos serviços de saúde pública no Brasil. O programa de atenção à saúde da mulher, por exemplo, têm como pressuposto que toda mulher é heterossexual; tendo todas as condutas pré-definidas, não permitindo liberdade à mulher de se apresentar aos profissionais de saúde como lésbica. Com isso, as orientações e condutas específicas não são realizadas, deixando essa mulher vulnerável. Hoje a responsabilidade de transmitir informações e também de orientação para mulheres homossexuais está nas mãos do terceiro setor “ONG’s” que é um segmento da sociedade composto por agentes e instituições privadas que buscam a realização de objetivos coletivos e/ou públicos com temáticas especificas.
   Outra questão dificultadora a esse respeito é a falta de capacitação dos profissionais de saúde para prestar atendimento a esse público, pois tais profissionais partem do pressuposto que não há orientações a fornecer, uma vez que, a saúde da mulher lésbica e da mulher heterossexual deve ser tratada da mesma maneira. Há também uma “cultural” perniciosa de se acreditar que sexo entre mulheres é “um sexo limpinho”.O que na verdade é um mito perigoso, pois, o sexo oral é o que mais oferece riscos de contração de DST’s, a mucosa da boca é uma via significativa de transmissão para microorganismos. Porém, como já foi dito; a questão da homogeinização na saúde, lamentavelmente, deixa de fora as especificidades de cada caso.
    Há também um ponto que está relacionado ao fato de não se dar a devida importância ao sexo seguro entre lésbicas, segundo pesquisas, é a confiança excessiva que essas depositam em suas parceiras.
    A discussão desses assuntos pode trazer desconforto e insegurança às relações. No entanto, essa conscientização é muito importante para que possamos adotar comportamentos mais cuidadosos em nossas relações sexuais e também para que possamos exigir, dos órgãos de Saúde Pública, políticas, campanhas específicas que abranja as particularidades da saúde da mulher lésbica.



Vamos cuidar da nossa saúde? Ai vão algumas dicas:

• Realizar exames preventivos anualmente;( exames de mama, Papa Nicolau)
• Recomenda-se não realizar sexo oral após ter escovado os dentes ou ter usado fio dental, pois caso ocorra ferimento na gengiva, pode facilitar a transmissão de algumas infecções.
• Utilizar preservativos nas mãos ao realizar penetrações evitando machucar o colo vaginal e levar microorganismos que ficam alojados em baixo das unhas.
• Utilizar preservativos em “brinquedinhos” e vibradores.


Cuidem-se meninas

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Primeira escola do Brasil voltada para público gay

Campinas terá 1ª escola do Brasil voltada para público gay

Rose Mary de Souza - 23 de dezembro de 2009 • 16h07 • atualizado às 16h11
Direto de Campinas

     A primeira escola voltada para o público gay do Brasil será instalada em Campinas, no interior de São Paulo, e deve entrar em operação em janeiro de 2010. A nova Escola Jovem LGTB (Lésbicas, Gays, Transexuais e Bissexuais) oferecerá aulas de Expressão Literária, Expressão Cênica e Expressão Artística, além de um curso para formação de drag queens.A grade curricular engloba tópicos artísticos como dança, música, TV, cinema, teatro e criação de revistas. O objetivo da instituição é fazer circular pelo Estado de São Paulo o material produzido pelos alunos - entre eles, CDs, DVDs, livros, revistas, peças de teatro e espetáculos de drag queens.A unidade escolar surgiu a partir de um convênio entre a ONG E - Jovem, o governo do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura. Os cursos técnicos são gratuitos e têm duração de três anos.
   As inscrições serão abertas em janeiro, ainda sem data prevista. Serão Aceitos prioritariamente interessados com idade entre 12 a 18 anos. Outras faixas de idade serão aceitas se houver vagas. As inscrições também estão abertas ao público heterossexual. As aulas terão início em março e, a princípio, devem ser criadas três turmas com 20 alunos cada. De acordo com Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGTB, o contrato de convênio, com validade de três anos, foi assinado no último dia 16 de dezembro. Ainda não há um local definitivo para a sua instalação. "Estamos em uma corrida para acertar tudo até o início das atividades", disse. Segundo ele, a unidade em Campinas é a primeira do gênero no Brasil e a segunda na América Latina. Nos Estados Unidos existem várias unidades. Ribeiro disse que a intenção também é a de combater a homofobia e colocar em discussão a temática da população gay que, em geral, não é veiculada em currículos de estabelecimentos de ensino tradicional. "Sabemos que muitos alunos deixam de estudar por puro preconceito." Sendo assim, diz ele, a escola dará um suporte no sentido de auto-aceitação do indivíduo através de cursos voltados às artes. "Os mais conservadores estão de cabelos em pé, já recebemos muitas mensagens nesse sentido como também muitos incentivos de pessoas querendo lecionar ou serem voluntárias. Acho que vai ser muito bom", completou.

Os interessados podem entrar em contato com a direção da escola pelo endereço eletrônico escola@e-jovem.com.

Fonte:



   Bom pessoal, como vocês puderam ler, de acordo com as palavras do Diretor da Escola Jovem LGTB, Deco Ribeiro, está entre as intenções da instituição discutir temáticas da população gay e também combater a homofobia e dar suporte ao indivíduo na auto-aceitação.
   Temos aí, a famosa faca de dois gumes, se por um lado cria-se um espaço de expressão, digamos mais livre para os homossexuais; por outro lado cria-se também mais um gueto. Não cabe aqui nenhuma critica pejorativa à Instituição, muito pelo contrário, a iniciativa é mais do que válida. Porém, fica aí a indagação: até quando precisaremos de espaços (“mundos paralelos”) para sermos respeitados, para que possamos nos expressar livremente, sem que necessitemos de um lugar próprio para tal?
   Esperamos que, além dos tópicos artísticos - certamente relevantes – haja também, espaço na grade curricular para discussões voltadas para política, cidadania, ética. Afinal, essas são armas fundamentais para que possamos, de fato, sermos respeitados e nos fazer ouvir em nosso país, pois já que o honramos ao cumprir os nossos deveres de cidadãos; temos o direito de desfrutá-lo da mesma maneira que os demais.

   E por falar em esperança!



   Dez réis de esperança

    Se não fosse esta certeza
    que nem sei de onde me vem,
    não comia, nem bebia,
    nem falava com ninguém.

   Acocorava-me a um canto,
   no mais escuro que houvesse,
   punha os joelhos á boca
   e viesse o que viesse.

   Não fossem os olhos grandes
   do ingénuo adolescente,
   a chuva das penas brancas
   a cair impertinente,
   aquele incógnito rosto,
   pintado em tons de aguarela,
   que sonha no frio encosto
   da vidraça da janela,

   não fosse a imensa piedade
   dos homens que não cresceram,
   que ouviram, viram, ouviram,
   viram, e não perceberam,
   essas máscaras selectas,
   antologia do espanto,

   flores sem caule, flutuando
   no pranto do desencanto,
   se não fosse a fome e a sede
   dessa humanidade exangue,
   roía as unhas e os dedos
   até os fazer em sangue.

António Gedeão

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ANO NOVO, VELHOS PRECONCEITOS


    Levando-se em consideração que este blog tem interesse por várias temáticas viemos manifestar nossa profunda indignação, pois repudiamos preconceitos e segregações de qualquer espécie.


   O comentário feito pelo apresentador do Jornal da Band, O Sr. Boris Casoy, no dia 31 de Dezembro de 2009, acerca dos garis que desejaram Feliz Ano Novo aos Telespectadores; causou-nos profunda revolta.
   Este senhor do alto da sua arrogância, preconceito e imaturidade humana (apesar dos seus sessenta e oito anos de idade) e cultural; diz "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho."

   Em sua retratação o apresentador diz "Ontem durante o programa eu disse uma FRASE INFELIZ que ofendeu os garis. Peço profundas desculpas aos garis e a todos os telespectadores",
   Frase infeliz - Sr. apresentador é no mínimo um EUFEMISMO gigantesco de sua parte.
   Concluindo, e parafraseando o citado apresentador eu diria "ISSO É UMA VERGONHA!"


AFINAL, DEPOIS QUE INVENTARAM O PEDIDO DE DESCULPAS ERRAR TORNOU-SE MUITO FÁCIL!